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A 7ª edição dos Cadernos Técnicos da CGU destaca o papel das auditorias internas no fortalecimento da governança climática das empresas estatais. A publicação reúne quatro entrevistas com especialistas da CGU, do BNDES, da Petrobras e do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade, além de sete artigos que abordam riscos climáticos, auditoria de emissões, governança de sustentabilidade e práticas de controle. Fruto da parceria entre CGU, BNDES e Petrobras, a coletânea amplia os debates do 1º Fórum de Auditoria em Sustentabilidade e reforça a importância da transparência, da integridade e da cooperação institucional para orientar ações climáticas efetivas no setor público.
As empresas estatais federais desempenham um papel importante no desenvolvimento econômico nacional, especialmente em setores estratégicos como energia, logística, infraestrutura e serviços financeiros, que são diretamente impactados pelos desdobramentos relacionados à sustentabilidade e às mudanças climáticas. Com uma história iniciada no período Vargas, essas empresas têm sua atuação entrelaçada com as políticas públicas do país. (...).
André da Costa Santos é auditor-geral da Petrobras, com mais de quinze anos de experiência nas áreas de auditoria interna, compliance e governança corporativa. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em tecnologia, riscos e auditoria de sistemas pela Coimbra Business School, complementa sua formação como Global Chief Audit Executive certificado pelo Institute of Internal Auditors (CIA) e programas executivos em liderança e gestão. Na entrevista a seguir, André oferece sua visão sobre o papel transformador da auditoria interna diante da digitalização, da crescente integração entre governança e sustentabilidade e dos desafios contemporâneos da gestão pública e corporativa.
Autora de livro voltado ao mercado financeiro, palestrante e congressista, Vânia Borgerth é contadora, professora de graduação e pós-graduação, membro do Conselho do IESBA (International Ethics Standards Board for Accountants), ex-membro do Comitê de Auditoria do Banco Santander Brasil, membro do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS) e ex-Superintendente de Controladoria e membro do Comitê de Riscos do BNDES.Na condição de participante da Sessão 1 e Keynote Speaker do evento, Vânia concedeu a presente entrevista, realizada por e-mail, discorrendo sobre os impactos das novas normas globais de sustentabilidade, os desafios para as empresas estatais brasileiras e o papel estratégico das Unidades de Auditoria Interna Governamental (UAIGs) e seus auditores nesse processo de transformação.
As mudanças climáticas intensificam a ocorrência de eventos extremos, impondo novos desafios às organizações em todo o mundo. No Brasil, enchentes, secas e tempestades vêm afetando cada vez mais os setores produtivos e logísticos, demandando respostas inovadoras das empresas. A catástrofe climática de maio de 2024 no Rio Grande do Sul configurou-se como um marco de devastação, com chuvas equivalentes a um terço da média anual em apenas seis dias. Entre as organizações atingidas, destaca-se a Josapar, empresa alimentícia com mais de cem anos de história, cujas unidades operacionais foram diretamente impactadas pela elevação do nível da Lagoa dos Patos, do Canal São Gonçalo e do Arroio Pelotas. Diante desse cenário, o presente artigo busca analisar como a Josapar respondeu a esse evento extremo, mobilizando planos de contingência, comitês de crise e recursos financeiros, a fim de assegurar a continuidade de suas operações. (...).
Uma nova fronteira de confiança para o mercado de carbono. A emergência climática e a necessidade de transição para economias de baixo carbono intensificaram o debate sobre mecanismos que conciliem desenvolvimento e sustentabilidade. Nesse contexto, o mercado de créditos de carbono emerge como uma ferramenta central, permitindo que reduções ou re-moções de emissões de gases de efeito estufa (GEE) sejam convertidas em ativos negociáveis e valori-zados financeiramente. (...).
Ronald da Silva Balbe é Secretário Federal de Controle Interno da Controladoria-Geral da União (CGU), com carreira consolidada na administração pública federal e forte atuação nos temas de governança, auditoria interna governamental e modernização do controle. Sob sua liderança, a SFC tem aprofundado iniciativas de inovação, integração entre órgãos de controle e o aprimoramento das práticas de auditoria em sustentabilidade, consolidando a instituição como referência nacional na orientação técnica das Unidades de Auditoria Interna Governamental (UAIGs) das empresas estatais. Reconhecido pela capacidade de articulação institucional e pela defesa de uma auditoria interna estratégica, Balbe tem contribuído para fortalecer mecanismos de integridade, gestão de riscos e transparência no setor público. No evento, Ronald teve participação ativa na condução dos debates: abriu o evento com uma palestra voltada ao papel do controle interno diante da emergência climática, encerrou o primeiro dia com reflexões sobre o futuro das auditorias em sustentabilidade e retornou ao palco no encerramento do Fórum, destacando os compromissos institucionais assumidos pelas estatais e pela CGU para o fortalecimento da atuação das auditorias internas. Sua presença ao longo de todo o evento reforçou a posição da CGU como protagonista na construção de uma agenda integrada de governança, sustentabilidade e valor público.
Leandro da Costa Silveira é Superintendente da Auditoria Interna do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (AT/BNDES) e tem atuado na consolidação de práticas de governança, integridade e sustentabilidade na unidade técnica do banco. Sua experiência vem combinando uma sólida trajetória técnica com liderança institucional em temas ligados ao desenvolvimento econômico, operações de crédito e auditoria estratégica. Na qualidade de organizador ativo do evento, Leandro apresenta suas reflexões sobre os impactos das novas normas globais de sustentabilidade, o papel do BNDES na promoção do desenvolvimento sustentável e os desafios para o fortalecimento das auditorias internas como parceiras na gestão de riscos climáticos e na criação de valor público.