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A mudança climática é um dos maiores desafios do nosso tempo, impondo pressões sem precedentes sobre ecossistemas, economias e sociedades em escala global. Porém, é importante ressaltar que, além de um desafio ambiental, a agenda climática também envolve impactos econômicos e sociais relevantes. Enquanto a ciência demonstra que o aquecimento global é uma realidade que exige ações concretas e imediatas, a demanda por energia continua a crescer, impulsionada pelo desenvolvimento econômico e pela necessidade de melhoria do bem--estar social. (...).
No Brasil, as empresas estatais federais desempenham papel estratégico em diversos setores da economia, sendo responsáveis por aproximadamente 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Atuando em áreas como abastecimento e segurança alimentar, comunicações e tecnologia, defesa, setor financeiro, infraestrutura e transporte, minas e energia, papel-moeda, gestão de ativos e saúde, essas empresas não apenas viabilizam a entrega de políticas públicas, mas também influenciam padrões de conduta empresarial. Algumas delas, como Petrobras, Banco do Brasil e Embrapa, são referências em seus respectivos setores, estabelecendo práticas que muitas vezes são adotadas por empresas privadas, inclusive concorrentes.(...).
A 7ª edição dos Cadernos Técnicos da CGU destaca o papel das auditorias internas no fortalecimento da governança climática das empresas estatais. A publicação reúne quatro entrevistas com especialistas da CGU, do BNDES, da Petrobras e do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade, além de sete artigos que abordam riscos climáticos, auditoria de emissões, governança de sustentabilidade e práticas de controle. Fruto da parceria entre CGU, BNDES e Petrobras, a coletânea amplia os debates do 1º Fórum de Auditoria em Sustentabilidade e reforça a importância da transparência, da integridade e da cooperação institucional para orientar ações climáticas efetivas no setor público.
André da Costa Santos é auditor-geral da Petrobras, com mais de quinze anos de experiência nas áreas de auditoria interna, compliance e governança corporativa. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em tecnologia, riscos e auditoria de sistemas pela Coimbra Business School, complementa sua formação como Global Chief Audit Executive certificado pelo Institute of Internal Auditors (CIA) e programas executivos em liderança e gestão. Na entrevista a seguir, André oferece sua visão sobre o papel transformador da auditoria interna diante da digitalização, da crescente integração entre governança e sustentabilidade e dos desafios contemporâneos da gestão pública e corporativa.
Autora de livro voltado ao mercado financeiro, palestrante e congressista, Vânia Borgerth é contadora, professora de graduação e pós-graduação, membro do Conselho do IESBA (International Ethics Standards Board for Accountants), ex-membro do Comitê de Auditoria do Banco Santander Brasil, membro do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS) e ex-Superintendente de Controladoria e membro do Comitê de Riscos do BNDES.Na condição de participante da Sessão 1 e Keynote Speaker do evento, Vânia concedeu a presente entrevista, realizada por e-mail, discorrendo sobre os impactos das novas normas globais de sustentabilidade, os desafios para as empresas estatais brasileiras e o papel estratégico das Unidades de Auditoria Interna Governamental (UAIGs) e seus auditores nesse processo de transformação.
A questão ambiental figura entre os maiores desafios contemporâneos, refletindo uma preocupação global com a degradação dos ecossistemas, as mudanças climáticas e a finitude dos recursos naturais. Desde a década de 1970, com a Conferência de Estocolmo (1972), passando pela Rio-92, pelo Protocolo de Kioto (1997) e pelo Acordo de Paris (2015), a agenda internacional tem reiteradamente chamado atenção para a necessidade de compatibilizar crescimento econômico, justiça social e preservação ambiental. (...).
Uma nova fronteira de confiança para o mercado de carbono. A emergência climática e a necessidade de transição para economias de baixo carbono intensificaram o debate sobre mecanismos que conciliem desenvolvimento e sustentabilidade. Nesse contexto, o mercado de créditos de carbono emerge como uma ferramenta central, permitindo que reduções ou re-moções de emissões de gases de efeito estufa (GEE) sejam convertidas em ativos negociáveis e valori-zados financeiramente. (...).
As mudanças climáticas intensificam a ocorrência de eventos extremos, impondo novos desafios às organizações em todo o mundo. No Brasil, enchentes, secas e tempestades vêm afetando cada vez mais os setores produtivos e logísticos, demandando respostas inovadoras das empresas. A catástrofe climática de maio de 2024 no Rio Grande do Sul configurou-se como um marco de devastação, com chuvas equivalentes a um terço da média anual em apenas seis dias. Entre as organizações atingidas, destaca-se a Josapar, empresa alimentícia com mais de cem anos de história, cujas unidades operacionais foram diretamente impactadas pela elevação do nível da Lagoa dos Patos, do Canal São Gonçalo e do Arroio Pelotas. Diante desse cenário, o presente artigo busca analisar como a Josapar respondeu a esse evento extremo, mobilizando planos de contingência, comitês de crise e recursos financeiros, a fim de assegurar a continuidade de suas operações. (...).